Um estudo resultante da parceria entre o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) aponta uma situação generalizada e persistente de violência contra as mulheres, destacando a pobreza, desemprego, fragilidade dos quadros legais, conflitos armados e crises humanitárias como os factores que agravam o problema na região.

Segundo o relatório, tornado público recentemente, a prevalência da violência sexual, física e emocional na região está entre as mais altas do mundo. As estatísticas indicam que a média de mulheres que são vítimas de sexo forçado durante a vida é de 17%, e até 80 % das crianças sofrem episódios de violência em casa.

A ONU News falou com a especialista do programa de género na UNICEF, Rossella Albertini, que manifestou preocupação com o baixo nível de procura de auxílio das autoridades. “Em Moçambique, uma em cada cinco mulheres e meninas que já tiveram filhos experimentaram alguma forma de violência por parte dos parceiros. Metade nunca procurou ajuda. Apenas uma em cada sete foi encaminhada para os serviços responsáveis. Pelo lado positivo, os esforços para mudar atitudes em relação à violência revelam um progresso importante, estando Moçambique entre países da região com a taxa mais baixa de justificação para espancamento da mulher”, revela a fonte.

Para a especialista, apesar de Moçambique estar entre os países com menos casos de violência, há necessidade de intensificar o apoio à resposta da violência baseada no género, pois essa medida poderá garantir cobertura nas zonas rurais e urbanas e uma assistência acessível e de qualidade aos sobreviventes.

“Os dados revelam que a violência continua a ser pouco denunciada, e que as pessoas sobreviventes não têm acesso aos serviços de apoio, o que representa uma clara ameaça para a sua saúde física e mental. É um risco acrescido de gravidezes precoces e indesejadas que podem comprometer os resultados de desenvolvimento das crianças e ter repercussões importantes nos resultados escolares, sobretudo da rapariga”.

A especialista para programas de género na UNICEF disse ainda que uma das soluções para a redução de casos de violência baseada no género é o engajamento nas áreas de mobilização, sendo que a sensibilização das comunidades e a abordagem do tema nas escolas constituem prioridades.

Recentemente, a directora regional da UNICEF para a África Oriental e Austral, Etleva Kadilli, afirmou que as causas profundas da violência contra crianças e mulheres assentam em desequilíbrios de poder. “O abuso ocorre nas dimensões da idade e do género”, disse.

A pobreza, o desemprego, os quadros legais frágeis, os conflitos armados e as crises humanitárias foram apontados como elementos que exacerbam a elevada prevalência de violência nos países da África Austral. A taxa de mortalidade por homicídio entre crianças, adolescentes, meninas e mulheres na região da SADC foi quase o dobro da média do resto do mundo.