“A GAPI Está a Fazer a Sua Parte na Agenda 2030”

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Rafael Uaiene, PCA da Gapi, na cerimónia do 34º aniversário da Gapi

Permitam-me, em nome do Conselho de Administração da GAPI- Sociedade de Investimento e em meu nome, expressar a minha profunda satisfação por celebrar, nesta cerimónia solene, os 34 anos da GAPI-SI e o lançamento da Plataforma “’Finance for Sustainable Development”  (F4SD).

A Agenda 2030 (Objectivos de Desenvolvimento Sustentável ou simplesmente ODS), trata-se de uma agenda alargada e ambiciosa que aborda várias dimensões do desenvolvimento sustentável (social, económico, ambiental) e que promove a paz, a justiça e instituições eficazes. A mobilização dos meios de implementação – dos recursos financeiros às tecnologias de desenvolvimento e transferência de capacitação – é também reconhecida como fundamental. Transformar esta visão em realidade é, essencialmente, da responsabilidade dos governos dos países, mas irá exigir também novas parcerias e solidariedade internacional. Todos têm um papel a desempenhar.

A GAPI está fazendo a sua parte.

A Missão da GAPI é : Contribuir para a inclusão económica, social e financeira em Moçambique, promovendo a inovação, o empreendedorismo e investimentos geradores de emprego.

Assim, para a materialização da sua missão, a GAPI-SI esforça-se para tornar os produtos e serviços financeiros acessíveis e comportáveis a todos os indivíduos e empresas, independentemente do seu património líquido pessoal ou da dimensão da empresa. A inclusão financeira esforça-se por eliminar as barreiras que excluem as pessoas da participação no sector financeiro e da utilização destes serviços para melhorar as suas vidas.

A GAPI contribui para a inclusão financeira através da assistência técnica e investimentos em organizações de intermediação financeira baseadas na comunidade (ASCAS, OPEs, …) ou com o cáracter de bancos rurais focalizados nos mercados locais.

Para a GAPI a inclusão financeira consiste:

  • No esforço para disponibilizar serviços financeiros aos empreendedores Moçambicanos a um custo razoável.
  • Na Abrangência das várias regiões geográficas (temos 15 delegações em todo o País e 10 postos de finanças rurais)
  • Na participação dos actores da cadeia de de valor: produtores, comerciantes, processadores
  • Abrangente quanto ao género, grupo etário e grupos marginalizados.

A GAPI reconhece que os avanços nas fintechs, como as transações digitais, estão tornando a inclusão financeira mais fácil de alcançar. Por isso a GAPI está plenamente engajada na digitalização dos seus serviços

A GAPI tem estado a mobilizar recursos a partir de uma variedade de fontes, inclusive através do reforço da cooperação para o desenvolvimento, esforçando-se em proporcionar meios adequados e previsíveis para que os actores económicos, especialmente as micro pequenas e médias empresas (MPME) possam investir na cadeia de valor produtiva para acabar com a pobreza em todas as suas dimensões

A GAPI está a contribuir para o aumento da resiliência dos mais pobres e em situação de maior vulnerabilidade, e reduzir a sua exposição aos fenómenos extremos relacionados com o clima e outros choques e desastres económicos, sociais e ambientais.  Por isso, desde há um ano, a GAPI está a implementar o programa de resiliência dos afectados pelo ciclone Idai nalgumas províncias do Paris. Este programa tem o financiamento da USAID e, é co—implementado pelo Projecto SPEED.

Para fazer face aos desafios de desenvolvimento e fraca inclusão social e económica que o país enfrenta, os acionistas da Gapi mandataram o seu CA para reforçar a capacidade da instituição para que, na qualidade de Instituição Financeira de Desenvolvimento, possa assumir um papel mais interventivo nas áreas da sua competência, designadamente na promoção da inclusão financeira e promoção do tecido empresarial constituído por MPMEs, bem como em investimentos e projectos geradores de emprego;

É nesse sentido que estamos a promover a modernização dos sistemas, incluindo processos de digitalização bem como o alargamento da rede física para assegurarmos uma maior proximidade geográfica e cultural dos grupos e segmentos que temos de promover com vista a aprofundar a inclusão financeira, equidade do género, melhor acesso a conhecimento e a capital.

Outra decisão de grande relevância tomada pelos acionistas é a de nos próximos exercícios duplicarmos o capital social dos actuais 200 milhões para cerca de 400 milhões de Mts. Em breve será concluído o projecto de capitalização da Gapi.

Com estas medidas que reforçam a capacidade já instalada e os seus altos padrões de governação a Gapi posiciona-se para ser um parceiro preferencial de agências nacionais, internacionais e da cooperação bilateral para implementar programas e projectos de desenvolvimento sócio-económicos.

Estamos, pois, na expectativa de poder corresponder aos anúncios feitos há 2 anos, (fevereiro de 2022) na 6ª Cimeira Europa-Africa onde se reconheceu “que a erradicação da pobreza em todas as suas formas e dimensões, incluindo a pobreza extrema, é o maior desafio global e um requisito indispensável para o desenvolvimento sustentável”. E ainda nessa cimeira a presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen sublinhou que chegou o momento de “nos tornarmos operacionais” …  acrescentando que “nunca antes pusemos em cima da mesa um pacote tão grande e ambicioso em África”.

Na declaração final da Cimeira foi anunciado “um Pacote de Investimento Africa-Europa de pelo menos 150 mil milhões de euros que apoiará a … ambição comum para 2030 e a Agenda 2063 da UA.” Proclamou-se que esse Pacote de Investimento ajudará a construir economias mais diversificadas, inclusivas, sustentáveis e resilientes. A Gapi existe há 34 anos para trabalhar nesse sentido. Reafirmamos a nossa disponibilidade para estabelecer as parcerias que permitam responder aos desafios da EU.

Vários outros parceiros internacionais têm anunciado apoios para que países como Moçambique possam recuperar as suas economias pós pandemia. Saúdamos os parceiros que compreenderam a qualidade e resiliência da Gapi. Saudamos em particular a cooperação com a USAID que aceitou uma parceria pioneira com a Gapi ao criar connosco um Fundo de Resiliência. É um projecto pioneiro e de grande importância porque os desafios e desastres causados por efeitos das alterações climáticas e ou pandemias irão repetir-se e Moçambique precisa de um instrumento ágil e em prontidão para intervir sempre que um desses fenómenos destruir bens e em particular as nossas frágeis MPMEs…

A migração irregular e deslocações forçadas são um problema que está na agenda de governos e instituições multilaterais. A Gapi com a sua rede e modo de intervenção já deu provas de como combater as causas profundas dessa migração irregular e das deslocações forçadas. Nestes desafios os nossos parceiros não precisam de um grande esforço a reinventar a roda, pois tem a GAPI-SI na liderança.

Por fim, aproveito para agradecer a presença de todos, certo de que a Plataforma hoje anunciada será frutífera e duradoura e, acima de tudo, benéfica para o nosso desenvolvimento sustentável.

Veja o vídeo: